Ali, morava a completude do ser que via a estrada sem tinta, sem sol e tampouco a noite. Ali, morava o nada e o tempo parado efetuava reflexões do ser que era e não do ser que podia inventar, criar, iludir, dançar uma dança que não era sua. O que era sentir afinal de contas? O que era ser inteiro e despir a personalidade para o mundo vê como realmente era?
O que era bom para si e não para o outro?
Pessoa, alguém com luz e sombra, defeitos e qualidades, esforços e erros, concertos e atitudes. Pessoa que fala a verdade ao outro, e muitas vezes morde a língua para não dizer em demasia. Pessoa determinada em caminhos feitos e andando em frente como quem anda na beira das mudanças.
Mágoa. Mágoa que magoa aos outros, atitudes irrelevantes mas que afetam o todo e faz repensar o que fazer agora ? Magoar a muitos bem como feriu-se. Dor que machuca ao seguir contra própria natureza ou falta de conhecimento do comportamento alheio.
Alheio. Indiferente. Sentir. Foda-se. Alheio ao que viu e notou como os outros a enxergavam. Fragilidade inútil em meio as certezas da segurança das próprias decisões. Afetividade para que? Para que continuar ?
Amores sem posse, sem ciúmes excessivo, sem rótulos sociais. Tudo sem excesso faz bem. Fazia bem. Fazia rir, fazia chorar, fazia pensar em si, fazia pensar no presente, fazia pensar no futuro, fazia decidir. Fazia cuidar do próprio jardim, fazia repensar, fazia sentir tudo, às vezes fazia fugir, às vezes fazia ficar, no entanto fazia continuar no meio as entendimentos, verdades ditas, conflitos necessários, crescimento pessoal, fazia viver o não vivido, fazia sonhar e despertar, fazia vê quando podia, fazia conversar sempre e confessar, fazia o não fazer e fazia o que não podia controlar.
Não existem perfeições, não existem futuros imaginados ou tampouco transformados pela ansiedade. Ansiedade que fantasia e vive o futuro ou passado. Ansiedade que imagina o príncipe. Ansiedade que cria a expectativa e espera e só faz esperar pelo nada. Ansiedade das mãos gélidas, coração acelerado e atitudes negativas.
Despir para mundo é vê as criticas dos outros de forma negativa. Ser quem realmente era formava as paranoias e excentricidades para se defender. Defender através do controle, ansiedade e viver o futuro sem pensar no aqui e agora, bem como se defender através da dor. O que era o presente ? O presente não tinha ansiedade, o presente não tinha perfeições, o presente tinha verdades, o presente tinha a si mesmo, o presente vê as coisas como realmente são. O presente não fantasia, o presente prova viver em verdades e não se anula, o presente é habilitar a inteligência emocional e saber lidar com todas as emoções. O presente significava se decidir. Como se decidir? O decidir era se conhecer, o decidir era formar a verdade, o decidir era aceitar tudo como realmente era. O decidir era aceitar a solidão, aproximação, a fala, do mesmo jeito em aceitar os momentos de não querer falar ou os aspectos positivos.
Decidir era viver, bem como decidir saia do muro e mostrava o que realmente queria, bem como decidir era não ter medo de perder o outro, mas o medo e o maior inimigo era si mesmo.
Medo de se perder e não se encontrar, medo do futuro e do depois, medo do comportamento e do que seria capaz. Para isso decidir era preciso, mas decidir com maturidade e sem fugas ou arrependimentos. Toda decisão tinha prós e contras.
Tudo devia ser pesado. O peso deveria ser tirado das costas e viver um passo de cada vez.
Decisão difícil que abala o rumo das coisas. Quem queria enganar ? A si mesmo, a própria mentira, viver em meio as mentiras ou se libertar e viver a si mesmo?
Certo, vê o que não queria vê, certo a indiferença das próprias mentiras. Vulnerabilidade ao mostrar quem realmente era. Egoísmo, prioridade, determinação, pedestal, único em tudo e gostar da concorrência, disputa, mas sempre querendo está no topo das prioridades.
Prioridade mentirosa, farsa, ganhos secundários e consequências infinitas, bem como durabilidade de merda.
Nada de confuso, só certezas, vê a si mesmo naquele carro. A quem queria enganar? A si própria. Mentiras que cortam, sem vitimismo, certeza, decisão difícil.
Tudo volta-se a si mesmo. Todos defeitos dos outros, bem como qualidades vistas estão em nós mesmos. Como melhorar? Decidindo.
Tudo volta-se a si mesmo.
Tudo volta-se a si mesmo.
Tudo volta-se a si mesmo.
Alone consigo mesmo.


Ela pensava nele sempre que surgia sua imagem mental em sua cabeça. Ela ouvia músicas e lá estava ele representado nelas. Ele representava a mudança porque como espelho e sintonia em atitudes e palavras aquilo a afetava e ela transmudou-se. Ele era a paciência contida, as discussões em detalhes do que a irritava, ele a ouvia e a compreendia, ele era o reflexo do que ela via ao espelho. Ele era os defeitos da procrastinação, ele era a risada gostosa de se ouvir, ele era o brilho dos olhos dela, ele era o ombro amigo nos momentos de ansiedade, insegurança e incerteza. Ele era a loucura e manias que fazia ela balançar a cabeça. Ele era o incentivo para se tornar uma versão melhor de si, ele era o enfrentamento dos próprios medos, ele era o egoísmo instalado em atitudes na sua sombra.
Ele era o dia, tarde e noite, ele era a representação dos seus amigos e familiares. Ele era a segurança, as vezes mágoa, mas ele era continuidade de um tempo que ela nunca imaginou está.
Ele continuava ali depois de muito tempo e ela sentia algo dentro do peito que florescia e a fazia sentir todas as emoções ao mesmo tempo, mas ela não tinha medo da perda, e decisão era a mudança necessária. As vezes ela queria ir embora, desistir de tudo, tomar outro rumo, e se afastar. As vezes, ela de fato se afastava, mas não era por mal, era uma necessidade da sua personalidade idealizadora que vivia no futuro, mas hoje buscava meios de está no presente e que nada tinha controle.
A falta de controle causava ansiedade, viver no futuro, idealizações, agonia e querer controlar o outro para se sentir seguro. Mas nada era garantia de nada, e tudo mudava para melhor mesmo que não compreendesse.
Por mais que os ponteiros tenham se acertado, eles estavam juntos, a vida era incerta e isso a assustava e dava a vontade de voltar ao controle, mas nada se controla. Ela aprendeu a respeitar a vontade alheia e a si própria e instalar limites. Ela aprendeu que a única pessoa que deveria ter expectativas era para ela mesma. Ela aprendeu que hoje é hoje, amanhã é amanhã.
Ele era saudade, ele era a música romântica tocada no rádio, ele era o pulsar dentro dela, ele era a emoção que se instalou nela, ele era o passado, presente e futuro. Ele era o limiar do aprendizado no relacionamento a dois. Cada um tem suas questões, no entanto quando juntavam os dois a dificuldade era instalada, mas não era impossível, porque se os dois querem, os dois vão caminhando na continuidade.
Ele era parecido com ela, ele era série, calmaria, praia, rock, e seu próprio espelho.
E o que ela via no próprio espelho?
Ela via a luz e sombra, yang e yin, segurança e inteligência emocional, e a mulher que precisava ser e as mudanças que seriam necessárias para o crescimento pessoal.


 Não fazia mais frio lá fora, o cabelo mudou de cor, os passos assumiram decisões e direcionamentos distintos e a inocência foi deixada para trás. Na verdade, o passado deveria ficar no passado e o futuro no futuro, os pensamentos devem voltar ao presente e ao agora e viver a realidade.
Sem ilusões e comportamento bobo ou tolo, a verdade está ali e não precisava ficar confusa ou não deixar ninguém entender. A verdade estava ali, a realidade estava ali, o presente é para ser vivido e o futuro a Deus pertence.
Para que ser certinha, para que ser ingênua? Para que antecipar o futuro e quebrar sempre a cara pelos mesmos erros?
Erros. Erro de priorizar o outro. Erro de querer atenção o tempo todo, erro de querer controlar o outro o tempo todo, erro em sonhar com o futuro e afugentar as pessoas porque elas vivem o presente.
Erro de viver no passado e em sentimentos do passado. Como dá a chance a alguém se continua vivendo o passado e o futuro e nunca foca no presente pelo medo de visualizar a realidade.
A segurança estava nela e não no outro, a atenção estava nela e não no outro, a presença estava nela e não no outro, o entendimento tem que ser dela e não do outro, a prioridade tem que ser dela e não do outro. O sentimento era só dela e não do outro. A expectativa era dela e não do outro. A decisão era dela e não do outro.
Não havia medo da multidão e aproximação do outro, não havia mais tristeza constante e nem dor, não havia mais olhar duro ou arrogante para com o outro. Tudo estava leve e calmo. Tudo estava mais decidido e ativo. Quando ela conseguia olhar o aqui e agora não havia sofrimento ou expectativa. No entanto, havia ambivalência em suas decisões no qual uma parte queria uma coisa e a outra parte queria outra.
O segredo seria unificar a decisão, para isso deveria buscar sua segurança, não se importar com os outros e viver o que de fato queria. Principalmente vê nos outros os bons aspectos e não somente os aspectos negativos. Primeiramente deveria doar-se como prioridade e focar em sua vida que o resto aconteceria no seu tempo.
O presente que importa e nunca o passado e tampouco o futuro.
O presente era sua prioridade para vê as coisas como realmente são e viver na plenitude da felicidade porque haveria esperteza nas suas escolhas. Ela buscava verdade em suas escolhas e atitudes e procurar não ficar em cima do muro.
Ela escolheu viver o presente sem ter certeza de nada afinal na vida tudo era risco.
Ela era a sua real prioridade.


Desarmonia demonstrada ao som do mar que atravessava suas ondas dissonantes ao flutuar na maré com idas e vindas. Não havia som, na verdade, o silêncio incomodava e a saudade do que poderia ter sido e não foi.
Sinto muito, ela sentia falta, olhos amendoados travados na batalha da perda. Ela perdeu de novo. No entanto o ganho no futuro abriria os olhos em coisas grandiosas.
Ela sonhou com ele, num emaranhado diferente de rostos conhecidos e desconhecidos. Era como se fosse outra pessoa, mas os sentimentos eram o mesmo. Não era ele e os sentimentos eram dele. Estranho, o apagar do travesseiro eles estavam juntos, mas no despertar da realidade ela estava sozinha novamente e distante num mundo só dela e resignada na tristeza da falta e na falta do calor dos seus braços.
Tudo não passou novamente de uma ilusão? Tudo não passou de uma trajetória solo como ela sempre fez nesses relacionamentos em que um gostava e o outro não. Era o sentimento que ela não permitia que tocasse porque sentir doía e a distancia era mais segura e plena.
No entanto, a distancia era uma mentira, e o sentimento de tristeza era a forma que seu corpo encontrou porque não tinha controle sobre ele e a vontade de fugir daquilo era maior que tudo.]
Fugir. Ela sempre fugiu e nunca se permitia a nada e quando finalmente fluiu, ela libertou-se em aproximar das pessoas e sentir suas energias, bem como aceitou o fato que nada é para sempre.
Nada é para sempre, tudo passa e incluindo a tristeza. Perder? Fugir? Isolar? Não se responsabilizar?
Cade a verdadeira saída? Cade o verdadeiro sentido disso tudo?
A saída foi aprender e sentir que nada e tarde e tudo volta para nós mesmos de uma forma positiva. Nada de conformismo ou sentir raiva ou magoa pela outro, na verdade o sentimento de libertação e que tudo tem ponto final e o sorriso ao fim era a resposta que na vida tudo vinha por algum motivo.
As decisões eram a reta final e proporcionariam a mudança estampada no rosto e nos comportamentos que nunca revelam a mentira das palavras que mal balbuciavam.
Ela não procuraria ele. Ele não procuraria ela. E ali, numa noite em que os corpos desnudados encontraram sua finalidade em meio ao prazer e conversas no fim das contas definitivas.
Ele não gostava dela, ela gostava dele. A equação parecia simples, sem ledo engano, sem ser feita de boba, ninguém é bobo. Alguém sobrou. Ela sobrou.
Mas na nova perspectiva, ninguém sobrou, tudo se completou até onde tinha que dá. Aqui deixo o adeus que não tive coragem de dizer, aqui deixo o meus sentimentos atrelados aos beijos roubados e as saídas doidas, aqui deixo a tristeza e a sensação de perda e as fugas. Aqui deixo meus sentimentos e aprendizado que tudo se renova e não precisa transferir aos gatilhos negativos. A vida é difícil, não se entende agora, mas lá no futuro se compreende que tudo não passou de um piscar de olhos.
Vai lá, ela ficaria aqui mudada e inteira e seguindo sua vida normalmente e permitiria outros nuances e outras vivências. Você pode ir agora mesmo se quiser, ela não vai te prender ou controlar, afinal ela não precisa disso.
Ela não precisa da sua discrepância.  



Ela cansou do príncipe  que nunca existiu. Ela cansou do homem que nunca mudou, na verdade revelou-se. Ela cansou de correr atrás  de quem  suporta sua ausência. Ela cansou da inconstância. Ela cansou dos palpites alheios em sua vida. Ela cansou das expectativas jamais correspondidas e que nunca vão  acontecer. Ela cansou da procrastinação, das mentiras nada sinceras  e comportamentos dúbios. Ela cansou das justificativas infundadas e pouco eficientes. Ela cansou da incongruência das palavras e discrepância  no comportamento acomodado. Ela cansou da mesmice. Ela cansou de sonhar acordada e notou que precisava focar na única  pessoa importante, ela mesma.
Ela cansou e entendeu  que não  deve culpar ou sentir culpa pelo comportamento alheio. Cada pessoa tem seu tempo e individualidade e deve ser respeitado. E quando ela finalmente entendeu, ela parou de correr atrás. 
Ela cansou e buscou a paz em si própria e isso era o que verdadeiramente  importava.


O café estava amargo, sem açúcar e passou do ponto.
O café viciava como um beijo largado a muitos anos.
O café revigorava o sono como uma paixão inicial.
O café era forte como o toque de alguém importante.
O café era lembrado diariamente como lembranças que um dia foram realidade.


                    Era fácil falar dos outros. Era fácil falar do que não sentia. Era fácil apontar o que não pertencia. Era fácil projetar o que não queria. Era fácil  olhar ao espelho e notar o quanto ela mudou.
Ela mudou. Havia algo estranho e diferente nela ao mesmo tempo. Havia algo único e uma luz própria que invadia o corpo e dava-lhe presença  e a revelação  do onipresente no coração  alheio. Era tão fácil  decair na insegurança, possessividade e ciúmes loucos, bem como emergir da controle. Ela queria constância em si mesmo e decisões  firmes sem medo da mudança  e do que precisa ficar.
Ela olhou no espelho e notou que precisava  de si própria  e isso bastava. Ela era anjo e ao mesmo tempo cheia de defeitos. A fase princesa foi embora e ficou  o ar leve e a pluma do olhar de quem bastava por si mesma. Ela sorriu e vislumbrou no espelho o único  amor da sua vida, ela própria.


Ele provocava até o que não existia na eternidade de arrepios na pele que ansiava por beijos leves como quente e intenso, bem como fazia sentir o que nunca permitia sentir por muito tempo como algo grande dentro do peito e eternizava num sorriso mais tolo. Ele parecia um espelho que voltava-se a ela em defeitos iguais e comportamentos idênticos. Na verdade, lidar com ele era o mesmo que lidar com ela. Os momentos foram acontecendo e proporcionando discussões e entendimentos, bem como confiando a ponto de fortalecer o laço de amizade. Os amigos tendiam a se intrometer, mas cabia somente a ela decidir.
Ela decidiu ficar mesmo sendo difícil. Ela decidiu ficar mesmo com o egoismo. Ela decidiu ficar mesmo quando ele mostrou que não é nenhum príncipe encantado. Príncipes não existem, na verdade, as pessoas tinha vontades próprias, defeitos e qualidades. Ele era um bom ouvinte, bem como carinhoso,  as vezes contraditório.
Ela não tinha controle do rumo que os comportamentos ocorriam, mas ela finalmente entendeu que tinha que se colocar em primeiro lugar e viver a sua vida normalmente e o resto a vida mostraria como se aproximar.
Não adiantava  esperar pela ligação do dia, o segredo era viver sua própria vida que as surpresas decorreriam, bem como mesmo com o medo deveria fazer o que estava afim de fazer. O medo da perda assolava, mas a vida mudava e não se poderia controlar tudo.
Ela havia mudado e não queria ser o nó de ninguém, só queria deixar ele livre para escolher se iria continuar ou se iria partir. O importante era ela continuar inteira independente da escolha dele.
Ele era os pensamentos do dia, ele era o desabafo das escolhas dela, ele era o amigo que ela ganhou, ele era constância e morada de bons sentimentos, ele era defeitos e qualidades, ele era a aventura mais doida que já aconteceu com ela.
Ela sentia dona do próprio nariz e ele finalmente existiu.


Os medos ainda persistiam, bem como a ansiedade que assolava a cada momento e criava situações que não existiam. Nunca existiu. A existência era temporária afinal a permanência causava sofrimento e ela não queria sentir.
Ela não queria sentir medo. Ela não queria sentir desassossego. Ela não queria sentir perda do controle da situação. Ela não queria as mudanças que assustavam. Ela não queria viver mais aquilo. Ela não queria gostar, se apaixonar ou amar alguém e tampouco que alguém permanecesse em sua vida por muito tempo porque aquilo assustava e dava medo.
Então, ela perdia-se em rolos temporários e caras que partiriam rapidamente. O incerto a assustava, bem como o certo a fazia perder o controle e sentir alguma coisa que a deixava sem defesa alguma. Era como se pudesse tocá-la profundamente, quando na verdade ela queria se afastar e comprar qualquer desculpa para fugir.
O temporário era sua zona de conforto. Já, o permanente a fazia sair da zona de conforto e permitir o toque. Nada tinha controle e tudo acontece porque deve acontecer. O tempo muda as pessoas bem como transmudam as pessoas de posição. Se a Terra gira, as pessoas giram, os acontecimentos giram e avançam para aprendizado.
O controle e a infantilidade eram as maiores armas para enfrentar o medo da perda e rejeição. No entanto, no limiar da situação, existiam outras formas de viver que era permitir que tudo acontecesse na maior paciência do mundo e apesar dos gatilhos do medo, ser feliz é possível, bem como encontrar formas de lidar com os temores e meios de mostrar quem realmente era através da permissão da aproximação das pessoas e viver para si própria em primeiro lugar.
Nada melhor que perder o medo e finalmente descobrir que quem realmente importa é a si própria.
A perda é colocar-se em primeiro lugar e quando for olhar no espelho e sustentar o olhar, não se rejeitar e buscar formas de se amar do jeito que é.
Só ela que importava e isso bastava.


Inspirada no ardor do sentimento ela correu. Correu em campos alísios. Ele era o vento. E ela os campos floridos. Ela lhe dava beleza. Ele inspiração. Eles eram um só. Portanto, ele não existia.
             Ela existia. Isso bastava...


os: republicação. Amo esse texto. https://garotaacorda.blogspot.com.br/2010/10/ele.html


Na ponta dos pés, equilibrando na corda bamba, de olhos fechados, recordou do passado e refletiu o presente. Na ponta dos pés, engasgou com a garganta as palavras que queriam ser ditas, mas foram silenciadas pelo tempo perdido. Constante fuga dos outros e fuga de si mesma. Na ponta dos pés, as mãos sob a cabeça, presenciou a dualidade em vontades distintas, mas no fim das contas não ocorria decisões e as indecisões permitiam as fugas.
A fuga criava cenários românticos bem como a ansiedade propiciava memórias que nunca existiram e nunca irão existir. A decisão requer pés no chão, a decisão não se importa com bobagens e não cria expectativas, a decisão intui os sentimentos, a decisão aproxima da felicidade porque faz o que é bom para si, a decisão se impõe, a decisão chora, a decisão machuca e talvez dói, mas a decisão não aperta em nó, a decisão não depende da decisão alheia, e a decisão traz paz.
Na ponta dos pés desatou cada nó preso e se viu livre para viver no equilíbrio da corda bamba e a cada tropeço levantou e aprendeu alguma coisa. Na ponta dos pés, ela sorriu e esquentou o corpo gélido com uma gargalhada esquecida. Na ponta dos pés, retornou aos antigos hábitos que refletiam o bem estar. Na ponta dos pés, aceitou os comportamentos dos outros e que nada pode ser controlado. Na ponta dos pés, aprendeu a não se importar e buscar se vestir e comportar da maneira que se sente melhor. Na ponta dos pés sentiu a leveza do olhar de quem carrega o mundo nas costas e consegue colocar os pés no chão e viver um dia de cada vez e compreender que basta a si mesma.
Foi aí que desatou o nó e encontrou no fim a si própria e era isso que verdadeiramente importava.


        A música nunca deveria ter acabado. O salto nunca deveria ter quebrado. O batom nunca deveria ter borrado. O vestido nunca deveria ter ficado justo e meticulosamente decotado. O cabelo nunca deveria ter bagunçado. A bolsa nunca deveria ter soltado a alça. O dinheiro nunca deveria ter acabado. O corpo nunca deveria ter ficado frio. Os dedos nunca deveriam estar expostos. O sutiã nunca deveria ter folgado. O corpo nunca deveria ter engordado. O corpo nunca deveria ter mudado. A yoga nunca deveria ter sido feita. O riso nunca deveria ter sido fácil. Os sentimentos nunca deveriam ser exaltados. O cara nunca deveria ter aparecido.
      A dualidade nunca deveria estar presente.
      Ela infiltrava em si própria. O medo enlouquecia em ares sonhadores e matizadores. O medo trazia a tona comportamentos complexos e a bonequinha de porcelana. A insegurança gaguejava em palavras não ditas ou presa na garganta. O medo da perda procurava criar raízes dependentes dos outros e da opinião que não era sua.
     Ninguém conseguia entender. Ninguém nunca deveria ter dito. Ninguém nunca deveria controlar os outros. Ninguém deveria nada.
      Ela resgatou a independência em raízes passadas. Ela recrutou o eu de antigamente e progrediu em opinião própria e pulso firme. Ela não mudou essência, mas se questionou e questionou os outros. Calou-se quando estava errada e admitiu quando errou, entrementes, aprendeu que não se deve narrar tudo da vida nem aos melhores amigos e deve ser dona do próprio nariz.
     Ela compreendeu que a música deveria ter acabado. Ela compreendeu que o salto deveria ter quebrado. Ela compreendeu que o batom deveria ter borrado. Ela compreendeu que o vestido deveria ter sido justo e decotado. Ela compreendeu que o cabelo deveria ter bagunçado. Ela compreendeu que a bolsa deveria ter soltado a alça. Ela entendeu que o dinheiro deveria ter finalizado. Ela entendeu que o corpo deveria ter ficado frio e os dedos seriam expostos. O sutiã deveria ter folgado. O riso deveria ter sido fácil bem como os sentimentos ruins ao receber criticas pesadas era natural, entretanto ao lidar com isso ela revidava e não entreouvia calada. Os sentimentos seriam exaltados e o cara deveria ter aparecido. A yoga deveria ser feita bem como o corpo naturalmente transmudaria.
        A dualidade era constante, a frustração era natural, bem como o aprendizado nessa vida elevava em maturidade. As pessoas podem se expressar como quiser e da pitaco como for, entretanto, a dona da vida era ela e no fim das contas a decisão final sairia dos seus lábios.
        Nada de cobranças, gratidão em primeiro lugar, amor pela individualidade e pelo que gostava de fazer diariamente. Esvair-se da dependência e permitir o novo de modo que  iria viver a vida no momento certo.
        Encerram-se ciclos e iniciam outros.
   


Ela escalou as montanhas mais altas e sem motivo algum a queda foi ao ar livre e talvez um pouco dolorosa. O medo encobria a insônia e as preocupações afloravam em ansiedade. Olhar para trás ou para frente ? Your lie ? Aflorar a realidade ou lado sonhador ?
Your never far from me...
We are lionheart.
Ressignificar a visão do mundo ao redor. Ressignificar os comportamentos alheios. Não sentir medo dos novos passos e dos rumos que a vida estão contornando. Procrastinar para que ? Insistir para que ?
Nada que exige certa insistência em demasia serve, nada que esgota suas forças serve, nada que tire sua paz serve.
O precipício ficou claro e fácil de resolver e a queda nunca serviu de aprendizagem. Era hora de mudar, abracar a si própria, seguir outros rumos, sentir o vento no rosto bem como a liberdade de ser o que é. Ela estava pronta para encarar o novo e dá um significado ao velho. Ela estava sozinha, mas queria o diferente e escalar as montanhas do amor próprio.
Ela queria viajar na liberdade de ser só. Ser só é a melhor companhia.




    O pensamento foi longe, mas já não era agoniante. Estranho, não ocorria empolgação e nem entonação para algo profuso e intenso. Era realista, talvez equilibrista, mas sem egoísmo. Preferências são preferências, mas a atitude era diferente. A atitude era madura e o sentimento era tranquilo e sem expectativa de nada. Cadê o medo ? Não existia medo, tampouco dependência emocional. Tudo se perfazia em caminho novo e fora da zona de conforto e conforme o interesse e como as coisas deveriam ser. Cultivar sempre a si para desenvolver com o outro. Tudo tornou-se sem ganhos e sem vitimismo, após percepção de comportamento antigo, e ao mudar  a postura, tudo mudou.
Respire. Ela mudou.
Ela cansou de paixões sem sentido e corações quebrados. Nada nessa vida tem controle e ninguém é obrigado a ficar com ninguém. Aproveitar sempre o momento e lidar com o amanhã e cuidar de si mesma. Aprenda que a solidão não é dolorosa e se faz necessária para o autoconhecimento. Os erros estão ai para se tornar aprendizado, bem como  a dor nos muda drasticamente e faz retornar o valor para si mesma.
O valor nos faz crer no que é melhor para si mesma. O valor impõe postura e limite, bem como responsabilidade.
Tudo buscou maturidade e ao acalentar a sua criança interior e se dá bem com ela, a mulher se sobressai. A mulher que lida com frustrações, decepções, perdas e ganhos e que lida com as dificuldades buscando respostas para resolver seus problemas.
Ela mudou. Ela continua respirando.






























































































































































































































































































































































































































































































































































































































A multidão obliterava rostos apressados e alinhados naquela rotina enfadonha. A multidão escondia estar ladeada de todos, entretanto, a solidão prevalecia. O estar só era a melhor rotina, a melhor multidão para se encontrar e mudar o enfadonha.
Enfadonha, melancolia, escolhas erradas e repetidamente erradas. Um pequeno estalo e tudo desmoronou como o castelo de areias construído num encontro com o mar. A redoma de vidro estava quebrada, e os pedaços ali jogados e lançados não conseguiam se emendar. Cacofonia era tudo que via, o estado de sombras que se afogavam numa água profunda e que os olhos não conseguiam despertar. Os olhos somente sentiam, perdiam-se na distancia do pensamento que não se fazia presente. A chuva, sol, frio e calor nunca foram tão amigos e tão colorido como agora, bem como o corpo reagia a mudanças significativas. As mudanças que apuravam com maior carinho, amor, compreensão, gratidão e perdão, bem como grandiosa paciência para consigo.
Mãos que estendiam para frente como obtendo ajuda, mas apenas passavam na passagem do tempo.
O tempo perdido, nunca fez tanto sentido como agora. O agora, permanecia na sensação de domínio de si e controle da ansiedade. Nada de impulsão, tudo de caso pensado e aos poucos emergindo o novo eu. O caos traz mudanças. O caos instalado trazia mudanças.
Músicas antigas e novas eram bem vindas ao ouvir, bem como a terapia de entreouvir a melodia e escrever para não fugir.
Fugas para não encarar a realidade, saudade do tempo que não existiu e foi criado na memória como grito de fuga da dor. Tudo ao seu momento, sem expectativas, observando a verdade dos atos e saber diferenciar sentimentos.
Alone nunca foi tão bem vindo. Alone em busca do autoconhecimento e equilibrar suas emoções.
Alone, porque antes só do que mal acompanhada. Alone, pelo amor próprio e almejar o que é melhor para si. Alone, para entender a si e esquecer do que os outros pensam. Alone, para viver na liberdade dos atos e escolhas , sem amarras.
Alone, no fim das contas, é ser feliz.


Ligou-se ao mar como o horizonte que despontava ao longe e cada vez que recobrava o fôlego numa tentativa inútil de alcançar o fim da linha, o horizonte  se afastava. A ansiedade era assim, pensava logo no fim da curva e não vivia o aqui e agora. A ansiedade que desencadeava ligações diretas com quem não desejava ficar. A ansiedade era culpada de tudo, coitada da ansiedade que esperneava, e ficou preguiçosa durante quatro anos e apagada diante das reais possibilidades.
Ansiedade essa idiota que apontava o dedo a todos, mas não desviava de si mesma, bem como resistia a qualquer probabilidade certa e percorria o que denotava como algo visceral, no entanto, o algo transmudava em efêmero, aventureiro e perigoso para o coração.
  Ansiedade enveredava por vontades dúbias, bem como prestar atenção ao que não deveria. Ansiedade nunca deu certeza de nada e nem tampouco ligava-se ao mar.
O horizonte bem como o mar pernoitavam sensações de bem estar, e a ansiedade poderia aprender a se afastar do efêmero escorregadio. Ansiedade deveria desapegar e desenrolar, no entanto, jamais perscrutar o caminho do faz de conta e o irreal.
Ansiedade, abra os olhos, veja o mundo como realmente é. Ansiedade, não crie expectativas. Ansiedade, arrisque sem medo e sem joguinhos. Ansiedade nunca se culpe e nem aponte os dedos aos outros, apenas aceite as coisas como são e a dor vai embora. Ansiedade não se desespere pela falta de reciprocidade e nunca espere nada de ninguém. Ansiedade, a vida é uma só, mude por si própria e não tente mudar ninguém. Ansiedade, fique só por um tempo e sinta a si mesma.  Ansiedade, não se martirize e trate de esquecer os outros. Ansiedade se o outro tem dúvidas quanto a ti, tenha certeza por você e decida. Ansiedade se o outro não quer ficar, deixe partir e aprenda a se cuidar.
Ansiedade, na boa, desencana.



O céu abriu em nuvens ao revelar o dia  azul e com cores. Estranho, o tempo foi por muito tempo nublado, parado, ameaçador e amedrontador, bem como introspectivo. A dor da perda estava lá travada em batalhas de não seguir. Não seguir a vida e estagnar em pontos obscuros e a busca iminente do controle perdia-se em maiores dores reveladas de um passado obscuro.
Nada tem controle, nem mesmo o controle por controle se controla. O introspectivo não faria mais sentido, bem como o dia nublado e frio e talvez chuvoso. O vazio alastrava a raiva, culpa, vergonha e deslocava em relações fugazes, viscerais e dependentes. Para que dependência emocional ? Cadê o amor próprio ? Cadê a vida própria ? Para que o medo de perder ? Para que o quê?
Opinião alheia, paranoias, e passos hesitantes, pueril, inocência, para que ?
Abra os olhos, olhe ao redor, o mundo é mais colorido, mais bonito, corra atrás do que verdadeiramente importa, do que verdadeiramente suporta e viva o aqui e agora sem ansiedade. Seja você, seja plena em si mesmo, procure estabelecer metas e sonhos só seus e protele e ature somente sua opinião. Se olhe no espelho e se ama como é. Busque o melhor de você que a autonomia está ali na espreita e esperando ser usada.
Estranho, não existe tanta dependência, carência, ansiedade, o amanhã pode mudar, perder também faz parte do ganhar. Perder é o melhor agora e lá na frente, você vai ganhar o dobro.
Sorria, você é bonita, tolere a si mesmo, tenha gratidão por mais um dia e maior amor por si, e execute o que mais ama fazer.
Amor! Não mendigue a atenção de ninguém, dê o seu melhor, viva o que de fato quer viver e ajude a si mesma. O céu está azul e bonito, a felicidade está ali na espreita e os comportamentos repetidos podem mudar assim como os ventos vão soprar a seu favor.
Entenda que nada é para sempre e até as dores acumuladas também passam e  tudo se supera.
Nada é por acaso, tudo tem motivos, e o céu continua colorido.