PS: Eu vou apresentar essa nova  personagem. E ela dentre outras são, particularmente, uma das minhas preferidas.

                





 Eu estava me preparando para o jantar da Sra Amélia. Minha mãe. De mãe, ela, odiava quando eu a chamava pelo nome. Mas eu era assim. E de ser, vesti um pijama de bolinha, com o cabelo desgrenhado e desci as escadas ao som de qualquer coisa ou sei lá.
                      - Lety querida. Vá trocar essa roupa. Teremos visita.
                      Eu fiz caras de poucos amigos. Meu jantar era sagrado, ou seja, somente eu e minha mãe. E ela  sabia disto muito bem. No entanto, Sra. Amélia suspirou os lábios adocicados de paciência, afinal eu sempre fora excêntrica. Ela já jazia acostumada. Portanto, abanou a mão na cintura e ordenou despir novo rosto. O que era impossível já que de esculpir meu rosto estóico, com traços fortes, desencorajava qualquer pessoa que tentasse algo, digamos, amigável.
                  - Anda Letícia. - disse de maneira implacável.
                  Era sério. Teríamos de fato visita.
                  Engoli o que ia insinuar. Um grunhido de vermelhidão subiu nos meus olhos. Encarei minha mãe e ela de rainha me empolgou como mero cachorro faminto por um osso.
                - Tudo bem. - Sentei na mesa retangular e por lá cruzei os braços.
                - Levanta agora...
                 A campainha soou confiante. Sorri sinistramente. Quem fosse iria embora imediatamente. Minha mãe correu a atender me fitando como aviso. Finquei a teimosia. De súbito icei a cadeira á cair. As mãos de punho, de pé, fitando a ultima pessoa do mundo na qual apareceria no meu jantar.
Minha mãe envergonhada tentou me arrancar da sala, mas eu somente conseguia respirar a mala que o visitante trazia consigo.
                 - Ei Lety. Está de pijama.
                 Eu estava soltando fumaça pelas narinas. Ninguém me chamava de Lety assim com tanta tranqüilidade. E pior, exibindo um efusivo sorriso, desdenhoso, de que eu era a fracassada.
                 Felipe. Meu amigo de infância. De infância para inimigos declarados. Ele tinha senso de humor e vivia a distribuir gargalhadas animadoras entre qualquer pessoa que se aproximasse dele. O centro das atenções, incluindo minha mãe, era filho da melhor amiga de Sra. Amélia.
               - Então aderindo a nova moda? É para mim ficar assim também?
               - Eu...
               - Vamos jantar. - Anunciou minha mãe percebendo a tensão antes mesmo dela resmungar.

Naia Mello.





Continua....


5 Comentários

  1. Adoro teus textos, você escreve muito bem :)

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  2. Obrigada querida! esse blog aqui é novo e fico grata por gostar tanto do outro!

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  3. Adorei. Você escreve muito bem!

    Beijos.

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